Um futuro ensolarado: Sardenha, um laboratório verde de transição energética

Published on Sexta-feira, 16 Julho 2021

A beleza natural da Sardenha é tão impressionante que a sua Costa Smeralda (Costa Esmeralda) é famosa em todo o mundo. Entretanto, nos arriscamos a dizer que o verde seja a cor mais apropriada para descrever o futuro da ilha, uma vez que ela lidera um enorme processo de transição energética.

De acordo com Starace, em poucos anos, a região poderá ocupar uma posição única no Mediterrâneo. Em uma entrevista recente ao jornal La Nuova Sardegna (A Nova Sardenha), ele descreve:

“Uma ilha completamente verde, com carros elétricos em destinos turísticos, tanto à beira-mar como no interior, com portos livres de óleo diesel dos navios que estão atracados, pois todos serão movidos a eletricidade.”

– Francesco Starace, CEO da Enel.

Em outras palavras, a Sardenha é perfeita para o turismo sustentável.

As razões para este otimismo têm fundamento. A Sardenha é muito maior quando comparada a outros destinos turísticos, como as Ilhas Gregas e Ilhas Baleares (o que é uma clara vantagem em termos de construção de parques eólicos e usinas de energia solar), podendo ser, inclusive, uma espécie de “banco de teste” para todo o Mediterrâneo. 

Obviamente, isto se deve também às suas inúmeras qualidades atrativas, como seu turismo e o forte espírito empreendedor dos habitantes da ilha.

Tyrrhenian Link: O ponto de partida 

O plano da Enel para a Sardenha, assim como para as suas operações em outros lugares, está focado no ano de 2030. Starace explica que o ponto de partida do projeto foi uma análise de investimento, realizada com a Terna (operadora nacional da rede elétrica da Itália), para viabilizar o “Tyrrhenian Link”)., que ligará a Sardenha à Sicília, a outra grande ilha da Itália, e à Campânia, região ao redor da cidade de Nápoles, no sul. Esse grande projeto conectará a Sardenha à rede elétrica nacional italiana.O prazo para o fechamento das usinas movidas a carvão está previsto para 2025. Em alguns casos, o gás é visto como uma alternativa temporária mas, como aponta Starace, não há gás na Sardenha, portanto esta fase pode ser totalmente “pulada”.

“Ao analisar o NRRP - National Recovery and Resilience Plan (em português: Plano Nacional de Recuperação e Resiliência) nos perguntamos: É possível para uma parte tão grande e importante do país “pular” o gás e estar à frente de todos com uma energia verdadeiramente verde e um parque industrial? É possível para uma parte tão preciosa do país dar um salto tão à frente? Acreditamos que sim.”

– Francesco Starace, CEO da Enel.

Um futuro ensolarado

O plano de eletrificação da Sardenha baseia-se nos recursos naturais da ilha, especialmente o sol, o vento e a água, todos abundantes na região. Quando o “Tyrrhenian Link” estiver instalado e funcionando (o que deve ocorrer até 2030, se não antes), um gigawatt (unidade de energia equivalente a um bilhão de watts) extra de bateria e 4 a 5 gigawatts de energia renovável (em relação ao que está previsto atualmente) poderão ser instalados.Isso implicará em um investimento de 15 bilhões de euros até 2030 e poderá gerar algo entre 10 mil e 15 mil empregos.

 

Estamos contratando

A questão dos empregos levou o jornalista do site La Nuova Sardegna, Giuseppe Centore, a questionar Starace sobre o fechamento da usina a carvão de Portovesme, que ele descreve como um “gerador de problemas em uma área já devastada”. Starace foi categórico: 

“Absolutamente não. Quero ser claro aqui. No final desta jornada, que durará vários anos, ninguém ficará sem emprego. Na Sardenha, precisamos contratar pessoas, não as mandar para casa. É política da Enel nunca abandonar seus colaboradores. Vamos contratar pessoas, em vez de demiti-las. ”

– Francesco Starace, CEO da Enel.

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