Da Inovação Aberta a uma Empresa Aberta

Publicado em segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

“Atualmente, muitos serviços de utilidade pública não são inovadores porque operam em um ambiente em que há pouca concorrência. No entanto, nosso setor está implementando uma transformação sem precedentes. A Enel tornou-se um modelo de inovação quando decidiu assumir o desafio da mudança, nos abrindo para a concorrência”

– Francesco Starace, CEO e Diretor Geral da Enel

Ernesto Ciorra, Diretor de Inovação do nosso grupo, propôs um desafio para os gerentes das empresas e organizações europeias reunidas em Roma: Como fazer o movimento da Inovação Aberta para a Empresa Aberta? Como transformar os processos internos para tornar a empresa totalmente inovadora?

O fator serendipidade

A Inovação Aberta, acima de tudo, significa a troca de idéias e influências, comparando sua abordagem de inovação com a das empresas de outros setores. A inovação pode, por exemplo, ser o resultado da serendipidade, o elemento de sorte que entra em jogo quando as descobertas são feitas enquanto procura-se por outras soluções não relacionadas, conforme descrito por Markus Nordberg, Responsável pelo Desenvolvimento de Recursos da CERN, Organização Europeia para Pesquisa Nuclear em Genebra. Esta é a história por trás do nascimento da Web, inventada por Tim Berners-Lee no CERN. Inicialmente, ela foi desenvolvida simplesmente como uma maneira de permitir que cientistas de todo o mundo trocassem informações "O problema é como sistematizar a serendipidade”, explicou Nordberg, que destacou o paradoxo que orienta a inovação no centro de pesquisa nuclear em Genebra.

“Chamamos isso de Co-inovação, uma combinação de competição e cooperação. Os cientistas competem uns com os outros, mas isso só é possível se eles compartilharem informações e descobertas”.

“Um enfoque criativo para as soluções é crucial. ” No CERN, centenas de milhares de parceiros externos estão envolvidos anualmente na implementação da “Open Science” (Ciência Aberta), que inclui designers e artistas, bem como físicos e engenheiros. Sua tarefa é, como cita Nordberg, “abrir uma ideia” para explorar todas as formas possíveis, antecipar o desenvolvimento e avaliar o potencial de impacto nos clientes e no mercado. Isso também significa seguir os princípios do Design Thinking, partindo da experiência do usuário, para criar soluções simples para problemas complexos.

Rumo às redes de sustentabilidade e inovação

Quais são as novas tendências da inovação ao redor do mundo? Em primeiro lugar, a percepção da sustentabilidade também como uma oportunidade de negócio. Como Ciorra explicou, devemos passar da “Open Innovation” (Inovação Aberta) para a “Open Innovability” (“Inovabilidade” Aberta). Já não basta ser somente inovador, devemos integrar a sustentabilidade “para criar valor compartilhado e isso só pode ser alcançado por meio da inovação”. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS’s) da ONU representam um ponto de referência para muitas organizações e nosso Grupo está ativamente comprometido com a realização de quatro deles, estabelecendo metas e prazos para isso.

As redes de inovação são outra fronteira importante: olhar para fora da empresa já não é suficiente, é cada vez mais importante criar ecossistemas abertos, plataformas genuínas, onde o feedback dos clientes também possa impulsionar a inovação.

Existem muitos potenciais stakeholders, não apenas startups e universidades, mas fornecedores, parceiros industriais, comunidades de inovação, plataformas de crowdsourcing e consumidores. Como Francesco Starace explicou, nosso Grupo está expandindo rapidamente as redes de seus Innovation Hubs (Centros de Inovação) em todo o mundo, de São Francisco à Moscou e Tel Aviv. “Eles são mais do que pontos de observação, eles coletam e incubam ideias sobre resolução de problemas. ” De fato, são ecossistemas de inovação. “As ideias podem então se tornar oportunidades de negócios, como o lançamento da Enel X mostrou”.

Outras características essenciais da Inovação Aberta são a coragem de estabelecer metas ambiciosas, um direcionamento claro da alta administração, a transparência e flexibilidade dos processos e a capacidade de reduzir o custo dos erros e promover a inovação externa no interior da empresa. A verdadeira “Companhia Aberta”.

“Não existe um departamento separado que crie inovações. A inovação está integrada no Grupo Enel, servimos as diferentes linhas de negócios que geram inovação”

– Ernesto Ciorra, Diretor de Inovação da Enel

Alguns se concentraram em modelos e teorias organizacionais sobre a transição do período de burocracia (hierarquia) e meritocracia (competência) para a adesão (ação): a formação de grupos ágeis, fluidos e horizontais que são mais capazes de tomar decisões rápidas na era digital. Esta é a abordagem sugerida pelo professor Julian Birkinshaw, da London Business School, em seu livro “Fast/Forward. Make your company fit for the future” (Rápido e Avançado. Faça sua empresa se adequar ao futuro.”

A Inovação Aberta é um trabalho em andamento. Os dois dias em Roma não colocaram um ponto final em todas as dúvidas e receios, algumas questões permaneceram sem resposta: inovação aberta, sim, mas quão aberta? O que é melhor, ser gradual (incremental) ou revolucionário (disruptivo)? Como podemos proteger nossas ideias se as compartilharmos com outras pessoas? Há um limite para a transparência interna e externa? Os holofotes voltarão a cair nessas e em outras questões no próximo grande evento, o World Open Innovation Conference, (Conferência Mundial de Inovação Aberta) previsto para dezembro de 2018, na Escola de Negócios Haas da Universidade de Berkeley, cujo anfitrião, é claro, será a pessoa que primeiro colocou um nome para tudo isso: Henry Chesbrough.

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