Enel no Brasil contrata 17 paratletas por meio de seu Programa de Diversidade

Publicado em Quarta-feira, 27 de julho de 2016

Programa tem como objetivo incluir os atletas no mercado de trabalho para que eles possam ganhar experiência e ter melhores oportunidades quando se aposentarem do esporte

Um time de paratletas ingressou este ano na Enel no Brasil, como parte do Programa de Diversidade da companhia, que tem como objetivo incluir os atletas no mercado de trabalho para que eles possam ganhar experiência e ter melhores oportunidades quando se aposentarem do esporte. Ao todo, 17 paratletas trabalham na sede da empresa, em Niterói, e em prédios da companhia em São Gonçalo e Cabo Frio.

Atualmente recordista brasileiro e das Américas, na modalidade salto em distância, Pedro Paulo Neves, 38 anos, é um dos paratletas contratados pela Enel no Brasil. Ele sofreu uma paralisia cerebral durante o nascimento e, como sequela, ficou com uma atrofia no braço direito. Por meio da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), começou a praticar esportes, inicialmente futebol, depois natação, mas foi no atletismo que encontrou sua verdadeira vocação como paratleta. Experimentou a corrida e depois o salto em distância, que pratica desde 2011. Em sua primeira competição, dois anos depois, atingiu a marca de 5,54 metros, batendo o recorde brasileiro, que durava 16 anos.

Hoje, considerado o quinto melhor saltador do mundo, Pedro Paulo tem participado de competições que podem levá-lo ao seu maior sonho: disputar os Jogos Paralímpicos Rio2016. De acordo com os critérios de classificação, os atletas têm até o dia 17 de julho para alcançarem as marcas e integrarem a delegação brasileira nos Jogos. Em maio, na primeira etapa nacional do Circuito Caixa Loterias – organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro -, Pedro Paulo se superou e chegou a 5,82 metros, quebrando seu próprio recorde.

Desde 2007, treino diariamente para conseguir alcançar esse sonho. Conquistei o ouro na prova de salto em distância dos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, em 2015, e quero repetir isso aqui no Brasil”,comenta ele, destacando a oportunidade proporcionada pelo programa da Enel no Brasil. “Quando soube, me identifiquei com a proposta e sei que será fundamental para o meu futuro. Não se trata apenas de um programa para pessoas com deficiência. Fico orgulhoso porque percebo que a empresa está realmente disposta a colaborar com o crescimento profissional dos atletas”, comenta o colaborador, que cursa Administração e possui mais de 120 medalhas. Pedro, que atua na área de Operações Técnicas da distribuidora Ampla, é patrocinado pelo Instituto Masan e tem apoio do Instituto de Promoção do Paradesporto (IPP-Brasil).

Outro paratleta, Jorge Veiga Martins é recordista brasileiro de salto em altura e está na expectativa para participar dos Jogos Paralímpicos nesta modalidade e no salto em distância. Ele, que treina diariamente para conquistar o ouro, iniciou a carreira esportiva em 2010 e contabiliza mais de 30 medalhas.

É o meu maior sonho. Estou me preparando bastante e acredito no meu potencial. Vai ser uma emoção muito grande, mas vou me esforçar para manter o foco e trabalhar o lado psicológico para ficar bem tranquilo. Eu estava no ônibus quando meu professor ligou para contar sobre a pré-classificação. Fiquei tão feliz que tive que descer para chorar e comemorar“, diz.

Jorge, que nasceu com uma má formação no braço direito, participa de cinco ou seis competições por ano, tendo alcançado a primeira colocação diversas vezes.

Jornada especial

Desde que começaram na empresa, os paratletas cumprem uma jornada reduzida de 12 horas semanais. A ideia é que os funcionários conciliem treinos e competições com a rotina de trabalho. Os atletas são alocados em setores variados da companhia.

Marcelo de Oliveira Santos, de 35 anos, trabalha na área de Sustentabilidade da Enel no Brasil. Ele ficou paraplégico após um acidente de trânsito em 2004, quando foi atropelado por um motorista embriagado. Anos depois, em 2011, se interessou pela canoa polinésia ou havaiana, como é conhecida aqui, e começou a disputar campeonatos esportivos, tanto individual como em equipe – em canoas de seis lugares. Em 2012, foi vice-campeão Sul-Americano na categoria individual em uma prova realizada no Peru.

O paratleta, que já conquistou mais de 20 medalhas, treina duas vezes por semana e também aos sábados na canoa emprestada por um amigo. Graduado em Pedagogia, ele destaca como está feliz com o novo ambiente de trabalho: “De todas as oportunidades que tive, essa está sendo a melhor, sem dúvida alguma. O trabalho na empresa é muito melhor do que eu imaginava e fazer parte de um Grupo deste porte é gratificante. Estou me empenhando para dar o meu melhor e retribuir com bons resultados para a empresa”, diz.

Sandoval Francisco da Silva, de 40 anos, se dedica ao basquetebol em cadeira de rodas desde 1994, já participou de duas Paralimpíadas (Pequim e , foi três vezes campeão da Copa do Brasil, conquistou bronze no Parapan de 2002 e coleciona outros títulos. “Como atleta, eu estou acostumado a superar desafios e aprender uma nova profissão é mais um. O programa da Ampla permite que eu tenha uma carreira quando encerrar minhas atividades como atleta. Além disso, eu tenho um horário flexível para seguir com os treinos. É uma chance de ouro!“, comemora.

Sobre o Programa de Inclusão

O Programa de Diversidade da Enel no Brasil conta, atualmente, com 49 pessoas com deficiência, incluindo os 17 paratletas. A primeira turma, de 32 colaboradores, começou a trabalhar na empresa em setembro de 2015 após a conclusão das etapas teórica e prática.  As pessoas com deficiência que não são paratletas também receberam treinamento remunerado com duração de 12 meses, totalizando 960 horas de capacitação. Além da capacitação, os integrantes são acompanhados por psicólogos e outros especialistas para identificar suas habilidades e possibilidades de crescimento pessoal e profissional.

Os 17 paratletas contratados passaram por uma fase de treinamento e capacitação ao longo de um ano, realizada em parceria com a Universidade Livre para Eficiência Humana (Unilehu). A formação incluiu aspectos comportamentais, práticas administrativas, aulas de português, informática, legislação e segurança do trabalho, entre outras disciplinas. Houve ainda acompanhamento de coaching esportivo, coaching pessoal e profissional, palestras sobre o setor de energia, além de oficinas técnicas com foco no desenvolvimento dos integrantes. Os participantes foram contratados no início do ano passado e iniciaram o treinamento remunerado com duração de 12 meses – com quatro horas diárias, totalizando 960 horas de treinamento.