Silêncio, motores, ação!

Publicado em Quarta-feira, 9 de maio de 2018

“A autonomia dos carros elétricos da Fórmula E dobrou nos últimos quatro anos. A partir da próxima temporada, um único veículo poderá completar a corrida sozinho (hoje são necessários dois carros). Essa é a magia da Fórmula E.”

– Ryan O’Keeffe

“A mobilidade elétrica é uma indústria onde tudo está acontecendo muito rapidamente”, explicou Alberto Piglia, Responsável por Mobilidade Elétrica da Enel X. “O tema estimulou os fabricantes de carros, cada vez mais comprometidos com as soluções elétricas, e possibilitou que o número de modelos disponíveis aumentasse bastante. Prevemos um crescimento exponencial”. Na Itália, as projeções mais recentes preveem um aumento considerável no número de veículos elétricos: das 500 mil unidades atuais para 1,5 milhão de unidades nos próximos seis anos.

“Além disso, os governos – explicou Piglia – estão oferecendo incentivos para os veículos elétricos, com o objetivo de reduzir a poluição e melhorar a qualidade de vida. Os consumidores estão começando a notar as vantagens: o carro elétrico economiza tempo, uma vez que pode ser carregado enquanto está estacionado na rua ou na garagem e não nos obriga a entrar numa fila para encher o tanque. Carros elétricos não participam dos rodízios periódicos e os proprietários podem ganhar dinheiro quando o carro está estacionado, já que eles se tornam uma espécie de bateria sobre rodas, extremamente útil para estabilizar a rede com a nossa tecnologia Vehicle-to-Grid.”

“Os programas de reciclagem estão cada vez mais avançados, o que significa que as baterias usadas não são mais fonte de poluição e podem ser reutilizadas para outros fins. Uma verdadeira revolução no conceito de mobilidade está acontecendo agora. ”

– Alberto Piglia

Darwinismo Digital

Após a apresentação, foi a vez do palestrante Brian Solis, antropólogo americano, futurologista, analista digital e autor de vários livros sobre o impacto da evolução tecnológica na sociedade. “Esta é a primeira vez que venho a Roma, então é claro que queria conhecer a cidade”, disse Solis. “Na Fontana de Trevi, o guia me explicou que, depois de um longo processo de restauração, nós podemos finalmente vê-la em seu esplendor original, que antes estava perdido embaixo de uma cobertura escura, após décadas de poluição. Foi lá, olhando para a incrível beleza deste monumento, que eu pensei: só isso bastaria para me convencer a comprar um carro elétrico. Apenas o conhecimento de que vou poluir menos”.

Solis se considera um consumidor fervoroso de carros elétricos, uma espécie de geek: “Estou convencido que o futuro da nossa mobilidade é elétrico e compartilhado. A sociedade atual é estruturada em torno do que eu chamo de ‘darwinismo digital’, em outras palavras, um ecossistema no qual o desenvolvimento tecnológico estimula uma redefinição contínua dos paradigmas “.

“Só sobrevivem aqueles que se adaptam, que evoluem rapidamente e que não estão destinados a sucumbir. Então, quando uma nova forma de tecnologia aparece, é melhor nos adaptarmos o quanto antes.”

– Brian Solis

“Em muitos países, como os EUA e a Alemanha”, continuou Solis, “o carro ainda é um símbolo de status: é por isso que as soluções elétricas não estão decolando. Eu quero que meu carro seja rápido, resistente e imponente e não me importo se ele é sustentável. Portanto, o sucesso dos carros elétricos depende principalmente de uma mudança do estilo de vida.”

Isso também tem a ver com o som, acrescentou Alberto Piglia. “Para muitos, o ruído é essencial na escolha de um modelo. O som contribui para a marca, por isso, precisamos fazer com que os carros elétricos soem bem para os ouvidos, nos certificando de que eles emitem um ruído agradável. Algo como o “Sound of Silence” (“Som do Silêncio”) da famosa canção de Simon & Garfunkel, o sussurro de “uma visão que avança suavemente”: talvez uma visão de futuro.

Outro problema, continua Solis, é a infraestrutura: “No Vale do Silício, onde moro, todos os meus amigos que posseum carros elétricos planejam seus deslocamentos com base nos pontos de recarga e eles entendem que isso limita a sua liberdade. Eles até podem estar certos, mas também é verdade que o alcance médio conquistado por um carro elétrico hoje cobre 90% dos nossos deslocamentos dentro dos limites urbanos ”.

“O bom é que a mobilidade em geral está mudando e, com isso, nosso relacionamento com ela: as pessoas estão, cada vez mais, pensando nela não como um ativo pessoal (o carro), mas como um serviço (compartilhamento de carros).”

– Brian Solis

Mudando o estilo de vida

Por último, há o que o futurologista identifica como o obstáculo mais significativo a ser superado: “Nós temos a tendência de pensar na nossa conveniência e conforto no presente, ao invés de nos preocupar com o meio ambiente e com o planeta que estamos deixando para nossos filhos.” Então, o segredo para disseminar a filosofia da mobilidade elétrica é “garantir que ela seja identificada como uma questão prática, que nos ajuda a economizar tempo e dinheiro, e que é legal. A Fórmula E ajuda neste último aspecto e eu não consigo imaginar nada mais legal do que isso. E quanto à conveniência, ideias como o V2G (Vehicle-to-Grid) refletem exatamente uma necessidade: quando descobri como funcionava, me surpreendi.”

Resumindo, Solis não vê outra opção senão uma mudança radical de estilo de vida. Este foi o apelo final que o autor fez aos influenciadores presentes: “Convençam seus seguidores a fazerem isso ou, no mínimo, tentem: vale a pena.”

Os influenciadores ficaram entusiasmados com a proposta: “Estamos vivendo uma época de mudanças tecnológicas, que estão crescendo exponencialmente. Isso me deixa otimista: temos apenas que arregaçar as mangas e continuar", disse o empresário britânico Jeremy Leggett, especialista em energia solar com formação no Greenpeace. “Nossos governos devem guiar essa mudança, mas não sozinhos: a contribuição das grandes empresas é vital para melhorar o futuro do planeta”, acrescentou a brasileira Valquíria Daher do Projeto Colabora. Seus pensamentos foram apoiados por Andrés Motta, da Colômbia: “Há apenas uma palavra para descrever o que a Enel está fazendo para desenvolver a mobilidade elétrica: pioneirismo”.

Em um mundo baseado no “darwinismo digital”, mudar o estilo de vida é a única alternativa, como destacou Ryan O'Keeffe no encerramento: “Ainda há muitos problemas e não temos todas as soluções. Mas falar sobre isso é essencial porque os tempos estão mais maduros e o futuro da mobilidade elétrica é agora. Como Victor Hugo disse, ‘nenhum exército pode impedir uma ideia cuja hora já chegou’.”