Histórias que o tempo não apaga

Publicado em quinta-feira, 24 de agosto de 2017

“Instrumentos de pedra lascada, peças de cerâmica, artefatos e louças europeias são alguns dos itens já recuperados nos arredores dos parques de Nova Olinda, do Complexo Apiacás, em Cristalândia e Serra Azul”

Primeiramente, a equipe de Disciplina Ambiental, área da Engenharia e Construção, mapeia os sítios arqueológicos. Depois, uma pesquisa científica é realizada em cada território. O trabalho se completa com a coleta dos materiais encontrados, que são identificados e preservados pela EGP, com apoio de instituições locais.

Valorização do patrimônio cultural

Mais do que objetos antigos, os materiais encontrados são relíquias que revelam as histórias das civilizações que habitaram o nosso país. Além de ajudar a compreender como as comunidades se expandiram no território brasileiro, alguns instrumentos de pedra lascada e polida, provavelmente construídos e utilizados por antigos cultivadores e plantadores que viveram nesses locais, demonstram a capacidade de adaptação dos antigos habitantes às mudanças ambientais.

“Considero este trabalho de resgate arqueológico essencial para o patrimônio histórico do país. O Grupo Enel leva esse programa muito a sério e conta com o apoio de diversos órgãos e instituições em cada localidade. É muito bom poder contribuir com a reconstrução histórica”

– Valéria Ladeira, Coordenadora de Meio Ambiente da EGP

Ao final de cada etapa do programa, a equipe de pesquisadores elabora um documento – em forma de cartilha, livro ou relatório – apresentando os resultados encontrados e alguns conceitos utilizados nas descobertas, para engajar a comunidade local com o projeto.

Herança de antigos cultivadores e plantadores

O Parque Solar de Nova Olinda fica entre os municípios de São João e Ribeira, no interior do Piauí – estado onde foi encontrado o homem mais antigo das Américas, de 48 mil anos. O trabalho de resgate arqueológico no local teve início em dezembro de 2015 e vem rendendo muitos frutos históricos e culturais, com referências tanto à época da ocupação do continente sul-americano, quanto ao período de colonização portuguesa no Brasil.

“Encontramos potes de cerâmica e instrumentos de pedra lascada e polida que datam de dois a três mil anos, assim como louças europeias e fragmentos de metais que devem ter sido usados em armamentos. Além disso, localizamos em um sítio arqueológico da região, a sede de uma fazenda que remete ao século XVIII”

– Paulo Zanettini, arqueólogo

Um dos benefícios mais importantes deste trabalho é a herança que ficará para as comunidades próximas ao empreendimento. Afinal, o patrimônio arqueológico é um elemento-chave para preservar e divulgar as referências culturais de cada país. Sobre esse assunto, o arqueólogo complementa: “Estamos preparando a etapa de Educação Patrimonial e voltaremos à região para apresentar os conhecimentos gerados. Essa forma de divulgar para a sociedade as descobertas é que torna a arqueologia brasileira diferente de outras partes do mundo.”